Mercado imobiliário abranda no início de 2026 mas preços continuam sob pressão
24 de abril, 2026
O mercado residencial em Portugal arrancou 2026 com sinais claros de abrandamento na atividade, embora os preços da habitação continuem a subir, refletindo a persistente escassez de oferta.
De acordo com dados da Confidencial Imobiliário, foram transacionadas 37.750 habitações no primeiro trimestre em Portugal Continental, o que representa uma quebra de 9,4% face ao trimestre anterior, quando se registaram cerca de 41.600 operações. A descida confirma uma tendência de desaceleração que se tem vindo a acentuar desde a segunda metade de 2025.
Para Ricardo Guimarães, este comportamento reflete a emergência de novos fatores de pressão sobre o setor, nomeadamente a instabilidade internacional e as expectativas de subida das taxas de juro, que têm impacto direto na procura e nas decisões de investimento.
Ainda assim, o responsável sublinha que o atual nível de atividade permanece alinhado com a média observada desde 2019, sugerindo que o mercado poderá ter atingido um patamar de estabilização após vários anos de forte crescimento.
Apesar da quebra no número de transações, os preços continuam a evidenciar uma trajetória ascendente. No primeiro trimestre de 2026, os valores de venda registaram um aumento de 4,6% em cadeia e de 21,1% em termos homólogos. Embora este último valor represente uma ligeira desaceleração face ao final de 2025, confirma a manutenção de uma forte pressão sobre os preços.
A evolução dos valores reflete, sobretudo, um problema estrutural: a falta de oferta, especialmente nos segmentos intermédios do mercado. Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, em 2025, foram concluídas cerca de 26.700 habitações — um número que, apesar de traduzir crescimento ao longo da última década, corresponde a apenas um terço do volume registado em 2005.
Também ao nível do licenciamento, os números continuam aquém dos níveis históricos. No ano passado, foram licenciados 41.830 fogos, pouco mais de metade do registado há duas décadas, sendo que apenas 64% dos projetos submetidos obtiveram aprovação.
Este desfasamento entre oferta e procura continua a sustentar a valorização do mercado. Segundo o SIR – Sistema de Informação Residencial, o preço médio de venda em Portugal Continental atingiu os 3.262 euros por metro quadrado no primeiro trimestre de 2026.
No segmento da habitação nova, os preços ultrapassaram pela primeira vez a barreira dos 4.000 euros por metro quadrado, fixando-se em 4.374 euros. Já no mercado de usados, o valor médio situou-se nos 2.959 euros por metro quadrado.
Os dados confirmam, assim, um mercado em mudança: menos dinâmico em volume de transações, mas ainda fortemente pressionado ao nível dos preços, num contexto em que a falta de oferta continua a ser o principal fator de desequilíbrio.